Azereiro  |  loureiro-de-Portugal, gingeira-brava

Prunus lusitanica L. subsp. lusitanica

Família: Betulaceae  ; Publicação: 1753

Sinónimos: Padus lusitanica (L.) Mill; Cerasus lusitanica (L.) Dum. Cours; Laurocerasus lusitanica (L.) M. Roem.

Distribuição geográfica: sudoeste da França e oeste e norte da Península Ibérica. Em Portugal encontra-se a norte do rio Tejo em alguns microclimas de montanha.

Caducidade: persistente

Altura: até 20m, normalmente menos de 10m

Porte: árvore ou arbusto de copa ampla, muito ramificada.


Ritidoma: acinzentado, quase liso; raminhos glabros, avermelhados, inermes.
Folhas: simples, alternas, ovado-lanceoladas ou oblongo-lanceoladas (7-15 x 2,5-7cm), coriáceas e algo pêndulas, acuminadas, com margem crenada ou dentada, glabras; verde-escuras e lustrosas na face superior, glaucas na inferior; pecíolo 1-3cm, glabro, vermelho-escuro.
Estrutura reprodutiva: flores um tanto fragrantes reunidas em cachos alongados, suberectos, pedunculados, com 15-28cm, com 50-100 flores / cacho; corolas branco-sujas, de ca. 8-12mm de diâmetro; pedicelos de 4-11mm, patentes ou erecto-patentes; fruto uma drupa com 8-13mm, ovóide a subglobosa, um tanto acuminada, negro-purpurescente quando madura e subigualando o pedicelo; endocarpo ovóide ou subgloboso, liso.
Floração: maio
Maturação dos frutos: final do verão

Habitat e ecologia: matas sombrias, talvegues, barrancos e margens de linhas de água encaixadas. Vive em altitudes médias, preferindo solos siliciosos e frescos. Espécie de semi-sombra. Necessita de chuvas frequentes e nevoeiros. Vive em climas suaves, sem neve e poucas geadas. Os seus frutos e folhagem atraem muitas aves, tanto para se alimentarem como para nidificarem.

Usos e costumes: apreciado como ornamental pelas suas folhas e flores. A sua madeira apresenta um tom rosado e pode ser utilizada em pequenos trabalhos de marcenaria. Pode ser podado de forma a formar sebes altas. Os seus frutos, embora possam ser comestíveis, não devem ser ingeridos em grandes quantidades, nem se forem demasiado amargos, como normalmente acontece. (ver PERIGOS)

Modos de propagação: Por semente: requerem 2 a 3 meses de estratificação a frio, assim que estiverem maduras. As sementes podem ser bastante lentas a germinar, às vezes 18 meses. Assim que as plantas tenham um tamanho razoável para poderem ser manuseadas, separe-as em vasos individuais. Proteja as pequenas árvores do frio durante o primeiro inverno e plante-as na primavera ou outono do ano seguinte nos locais desejados. Por estacas: estacas semi-lenhificadas com um pouco do ramo anterior na sua base em julho / agosto. Estacas maduras em outubro. Também por alporquia na primavera.

Informações adicionais: para além desta subespécie são também conhecidos nos arquipélagos atlânticos a subsp. azorica (Mouillef) Franco (folhas com 8-13 x 4,5-6,5cm e cachos com 10-17cm de comprimento, de 20-30 flores / cacho, com as drupas muito mais compridas que o pedicelo) e a subsp. hixa (Willd.) Franco (árvore até 20m, de folhas com 12-18 x 3,5-6cm, longamente acuminadas e cachos com 4-18cm de comprimento, 35-50 flores / cacho), localizadas nos arquipélagos dos Açores e Madeira, respetivamente.

Designação em inglês / espanhol: Portugal Laurel / Laurel Portugués

PERIGO: Os frutos provavelmente contêm cianeto de hidrogénio. É o ingrediente que dá às amêndoas o seu sabor característico. A não ser que sejam muito amargos, não deverão constituir problema em pequenas quantidades. Em pequenas quantidades o cianeto de hidrogénio tem demonstrado ser benéfico para estimular a respiração e a digestão, sendo também bom para o tratamento do cancro. Contudo em excesso pode causar falência respiratória e morte.

Estado de conservação:  NE | DD | LC | NT | VU | EN | CR | EW | EX

* NE (Não avaliada), DD (Informação insuficiente), LC (Não preocupante), NT (Quase ameaçada),VU (Vulnerável), EN (Em perigo), CR (Em perigo crítico), EW (Extinta na natureza), EX (Extinta)

Tendência populacional: decrescente | estável | crescente | desconhecida

Nota: Segundo a Lista Vermelha da IUCN. Estado de conservação a nível global. O seu estado e tendência em Portugal pode diferir.

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Rúben Boas

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zona mais adequada à plantação